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Luzes da Barra
Luzes da Barra: Um musical da Broadway

 


Cabaret: Um musical da Broadway
Teatro Oi Casa Grande

Jóia preciosa, este musical, texto de Joe Masteroff, músicas (belíssimas) de John Kander, letra de Fred Ebb ganhou admirável versão de Miguel Falabela. É preciso lembrar que musical deste porte é missão dificílima. Inclui-se ai o desafio de traduções das letras musicais.


Para o brilho atingido era preciso a fulgurante estrela: Claudia Raia. Melhor que nunca, em forma física impecável, com seus belos longos braços e pernas, compõe a imagem dramática. Precisa, infalível, elástica (sente-se técnica de balé). Sua voz privilegiada, inconfundível é mais um trunfo em sua atuação. É sem dúvida, no momento uma das maiores estrelas mundiais no gênero.


Jarbas Homem de Mello (o M.C.), mestre de cerimônias, fio condutor do enredo, pontilhando todo o tempo nos cabarets, invadindo cenas e ambientes. Ator brilhante, elétrico. Dança, canta e é malabarista. Guilherme Magon (Criford Bredshaw), excelente, elegante em sua sobriedade. Pena que dance e cante tão pouco. Quando o faz repentinamente, encanta. Ótimos os demais atores. Impossível citar a todos. Os “Kit Kat Girls” e “Kit Kat Boys” precisos, bem ensaiados. Coreografias de Renato Theobaldo e Roberto Rolnik transmitiram o espírito libertino, jocoso, do ambiente.  Cenografia de Chris Aizner e Nilton Aizner, altamente criativa usou toda a técnica para a valorização do texto. Contou com a parceria da importante iluminação de Paulo Cesar Medeiros. Muito efetivos os figurinos de Fábio Mamatame.


A música, antológica, foi transmitida em toda sua beleza pela orquestra e sua regente Beatriz De Luca. E por fim (mas não definitivamente por último), reunindo todos estes elementos, com imenso talento e equilíbrio, o diretor José Possi Netto realizou o nosso Cabaret.


E contou de forma magistral a história da menininha inglesa (Sally Bowler), levada para a República de Weimar (anos 20), cresce vivendo a evolução da Berlim frenética com seus cabarets e orgias. Torna-se prostituta, Conhece um recém chegado americano. Ela o atrai. Embora homossexual, vivem intensa noite de amor. Apaixonam-se. Acontece um grande romance. Ela engravida. Ele quer levá-la para a America, longe daquela vida e do nazismo que invadia o País (vale dizer que o musical tem forte crítica ao nazismo) Ela mostra-se relutante, submete-se ao aborto e paga com um de seus “amores”: imensa capa de pele. Ainda assim ele insiste em levá-la. Ela recusa. Berlim e os seus cabarets eram a sua alma... Ele parte.


O nosso “Cabaret” leva a um sentimento de orgulho e consolo. É a contastação de que, apesar dos enormes problemas nacionais, a arte brasileira “arrebenta”. O orgulho se estende ao fabuloso “Oi Casa Grande” com sua alta tecnologia e ainda ao imenso público que o superlota (apesar dos preços bem altos). Agradecemos aos produtores Claudia Raia e Sandro Chaim o empenho em nos proporcionar este imenso prazer.

 

Tamara

 
Luzes da Barra

 

Luzes da Barra

“ Eu Te Amo”


Teatro Leblon     

Tudo se inicia com belíssima projeção. Ao fundo, algo de montanha e o mar a desaguar suavemente suas ondas na areia. E a trilha musical é suave marulho. De um lado enorme busto de mulher cortando a projeção verticalmente: linda, de olhos verdes, a dizer, com talento “não te amo mais, não de amo mais...” Esta cena perdura por bastante tempo, criando um clima que promete  espetáculo de alto nível.
De repente, do fundo do corredor da platéia, surge outra mulher, em jeans falando ao celular.  Chega à boca de cena e grita alto “não te amo mais, acabou, não te amo mais etc...”


Súbito o palco se ilumina. Apenas uma cama de um lado, do outro pequena geladeira. E um homem desesperado  ao telefone:  sua vida, situação econômica e profissional e o Brasil estão uma droga. E a mulher amada acaba de abandoná-lo.


E de repente, (tudo acontece “de repente” entre incontáveis entradas e saídas dos protagonistas) .Uma terceira mulher entra  em cena num longo vestido de lantejoulas prateadas. Diz ao homem ser prostituta, depois não é mais prostituta, é formada em letras e aos seus longos diálogos têm-se que apelar para informações no programa: filme de Arnaldo Jabor, por ele transformado para o teatro em 1988. Texto entre drama e comédia:  amor, dor do amor, tesão, desejo, ilusão, sexo.


É usada a técnica de projeção e vídeos e  jogos de iluminação. De tão intensos e contínuos levam à uma impressão de parafernália. Mas aqui e ali há algo de belo: a forte cena de sexo que vai se diluir numa projeção ao fundo, em profusas  borbulhas de luzes e cores suaves. Mas, em seguida uma imensa e longa torneira toma conta do palco. Insinuação fálica? E ainda “de repente” intenso caleidoscópio super colorido no meio do palco. E  o  casal dança tango e habla español...


Afinal rola o clima entre eles e ele até aparece fantasiado em enorme urso. Seria essa a abordagem cômica?
E “de repente” ela saca uma faca e o ameaça por ele temer o amor. Ele replica sacando uma arma que diz ser de verdade, com balas de verdade. E, disparos! E, black out no palco!  À volta das luzes os dois estão sentados e abraçados no chão, ela enlaçando seu corpo, indicando grave ferimento . E a última frase dele: “ que longo caminho tivemos de percorrer para que eu possa dizer Eu Te Amo.


Juliana Martins surge bem, com boa atuação. Perde ao decorrer do  texto com estridências e algo de mecanizado. Alexandre Borges no inicio luta com texto desfavorável. No entanto consegue conquistar o desempenho e defende o espetáculo com seu talento. Não podemos deixar de observar e comentar: Eu Te Amo é datado de 1988 quando o uso do palavrão tinha um certo efeito. Torna-se, agora, até melancólico o  exagero com que  foi usado.


Direção Rosana Svartman e Lirio Ferreira – a iluminação Rogério Emerson e a cenografia de Fabiana Egreja demonstraram alto conhecimento da técnica, embora usada com exagero. Pena que as gargalhadas às intenções  de comédia se ouvissem  moderadas. Pena também que um ator com o  prestígio de Alexandre Borges, que normalmente seria ovacionado de pé, tenha sido prejudicado pela falta de entusiasmo do público por esta realização teatral.

 

Por Tamara Mello

 
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