Parque Lagoa do Camorim é finalmente oficializado
Circula desde novembro de 2024 um projeto que buscava uma nova área verde para a Barra da Tijuca: o Parque Municipal Natural Perilagunar da Lagoa do Camorim, localizado no Complexo Lagunar da Barra e Jacarepaguá.
Tudo começou na edição de 2024 do Urban 20, o encontro de prefeitos das cidades integrantes do G20. Com o objetivo principal de debater sobre questões relativas à economia, ao clima e ao desenvolvimento urbano, assim entrou em pauta o Parque Municipal do Camorim.
Em consonância com o foco dado à preservação ambiental durante o evento, no dia 14 de novembro, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro havia aprovado o projeto de lei que visava a criação do Parque Municipal Natural Perilagunar da Lagoa do Camorim. Originalmente, o projeto foi proposto pelos vereadores Carlo Caiado (PSD), Tainá de Paula (PT), Dr. Carlos Eduardo (SD), Eliseu Kessler (MDB), Jorge Felippe (PP), Alexandre Beça (PSD) e Dr. Rogério Amorim (PL), com o intuito de instituir o novo parque. Para sua implementação, o projeto aguarda apenas a sanção do prefeito Eduardo Paes (PSD).
A elaboração do projeto contou com a contribuição de ninguém menos que o biólogo Mario Moscatelli, especialista em gestão, recuperação e criação de ecossistemas costeiros. Moscatelli já foi responsável pela recuperação dos manguezais do Canal do Fundão, do Aterro de Gramacho, da Lagoa Rodrigo de Freitas e do sistema lagunar de Jacarepaguá.
Por fim, neste mês de março, durante sessão ordinária realizada na Câmara Municipal do Rio Janeiro (CMRJ), foi rejeitado o veto total da Prefeitura ao Projeto de Lei 3070/2024, que cria o Parque Municipal Natural Perilagunar da Lagoa do Camorim, no Complexo Lagunar da Barra e Jacarepaguá, na Zona Oeste Carioca. Assim, a cidade ganha mais uma unidade de conservação.
O texto segue para o presidente da Casa, Carlo Caiado (PSD), para promulgação, quando se tornará lei. Segundo os autores do projeto, a criação desta área verde viabiliza a recuperação e preservação do manguezal. Com o parque será possível realizar estudos científicos da biodiversidade local, regular as variações térmicas, promover a educação ambiental, além de estimular o turismo ecológico e sustentável.
Anteriormente, o biólogo Mario Moscatelli havia ressaltado todos os impactos positivos que o parque trará para a região.
— Costumo comparar com o que temos atualmente na Lagoa Rodrigo de Freitas, que, até quatro décadas atrás, era considerada uma latrina da Zona Sul, com frequentes mortes de peixes. Hoje, temos uma lagoa com águas limpas e um centro de ecoturismo da região. Imagine um sistema lagunar com águas ainda mais limpas do que as atuais, com as margens bem conservadas, a explosão de biodiversidade e o ecoturismo associado! Isso será uma questão de tempo, aliado à redução progressiva do esgoto nas lagoas, à melhor circulação de água com as dragagens em andamento e à gestão constante das margens. Assim, o “milagre” ocorrerá novamente, como aconteceu na Lagoa Rodrigo de Freitas. Não tenho a menor dúvida.
Com uma fauna composta por animais como capivaras, tatus, gambás, lontras e jaguatiricas, essa área de manguezal apostará no turismo ecológico, oferecendo tanto diversão quanto aprendizado à população. O acesso ao parque será feito por barco, para limitar o número de visitantes por passeio, que terá duração aproximada de uma hora e meia. Ao chegarem, os visitantes serão acompanhados por educadores ambientais, que explicarão a dinâmica da vegetação e da fauna. Além disso, haverá uma caminhada de um quilômetro por dentro dos manguezais, até a outra extremidade do parque, onde a embarcação que os trouxe estará aguardando para levá-los de volta.
Outro benefício significativo é que os manguezais, além de funcionarem como um eficiente sistema de controle de enchentes, também promovem a purificação da água, absorvendo poluentes provenientes do esgoto. Durante chuvas intensas, o impacto dos alagamentos é atenuado, pois o manguezal absorve parte da água que, de outra forma, inundaria áreas urbanizadas. Considerando as melhorias que a região experimentará com o Parque Perilagunar, Moscatelli também comentou sobre a previsão de inauguração, embora não tenha podido fornecer uma data precisa.
— O tempo é um recurso que a humanidade não dispõe mais para se preparar para o novo modelo climático. O parque proposto está alinhado com o conceito de cidades resilientes e esponja. Portanto, cada segundo perdido expõe a região a possíveis inundações cada vez mais graves. O parque é uma das formas de mitigar os impactos dos extremos climáticos, funcionando como uma área que recebe o excesso de água proveniente de chuvas intensas em sua bacia hidrográfica. Deixo claro que o parque não resolve a questão das inundações, mas atenua suas consequências.
Carlos Caiado, um dos responsáveis pelo projeto e também presidente da Câmara de Vereadores do Rio, também comentou sobre os benefícios que a Zona Oeste obterá com o Parque Perilagunar.
— A Zona Oeste só tem a ganhar com o Parque. Além de incentivar o turismo ecológico sustentável e a educação ambiental, a proteção dessa área também vai garantir a navegabilidade, para termos uma nova forma de transporte na região. E a melhoria da qualidade de vida passa pela sustentabilidade, garantindo temperaturas mais amenas e proteção contra desastres. Este Parque será um marco do renascimento do bioma da Lagoa do Camorim.
O Subprefeito da Barra, Raphael Lima, também participou ativamente da criação da lei de reconhecimento do parque. Raphael lembrou que a recuperação da navegabilidade dos canais também poderá abrir oportunidades para novos modelos de transportes.
— O principal objetivo desse projeto é recuperar e preservar o manguezal da lagoa. Mas também visa estimular o turismo ecológico e sustentável no local, além de atrair cientistas e estudiosos interessados na biodiversidade da região.
Novidades para outros dois parques municipais da Barra
Além da criação do Parque Municipal Natural Perilagunar da Lagoa do Camorim, a secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Eliana Cacique Romano, anunciou que iniciará, ainda este ano, um processo de concessão dos parques Bosque da Barra (Barra da Tijuca) e Chico Mendes (Recreio dos Bandeirantes) à iniciativa privada.
A informação foi divulgada no mês de novembro, após questionamento da equipe do vereador Pedro Duarte (Novo), defensor das concessões privadas. Inicialmente, essa medida não estava prevista no cronograma da Secretaria para 2024.
Com isso, o Bosque da Barra e o Parque Chico Mendes foram incluídos em um grupo de parques municipais, tanto naturais quanto urbanos, que começarão a ser licitados até o final do ano. Este grupo inclui ainda o Parque Madureira, o Parque Professor Célio Lupparelli (Campinho), o Parque Orlando Leite (Cascadura), o Parque Garota de Ipanema, o Parque Penhasco Dois Irmãos (Leblon) e o Parque da Cidade (Gávea).
Com a concessão à iniciativa privada, as empresas vencedoras serão responsáveis por realizar reformas gerais, implementar novas atividades de turismo, alimentação e bebidas, modernizar equipamentos e garantir a limpeza, segurança e manutenção dos espaços. A prefeitura acredita que essas medidas contribuirão para a preservação ambiental e para a melhoria da experiência dos visitantes. O acesso aos parques continuará sendo público e gratuito.
Vale destacar que esse modelo de concessão é amplamente adotado em diversos países. No Brasil, exemplos notáveis de concessões são o Parque Nacional do Iguaçu (Paraná) e o Parque Ibirapuera (São Paulo). Os defensores das concessões, como o vereador Pedro Dom, argumentam que, devido a orçamentos restritos, o Poder Público muitas vezes não consegue realizar a manutenção adequada dos parques, e as concessões podem garantir a conservação e manutenção desses espaços, além de proporcionar uma importante oportunidade econômica. Com a inclusão do Bosque da Barra e do Parque Chico Mendes no programa, os moradores da região torcem para que esses parques se tornem exemplos bem-sucedidos de concessão privada.